Meu Claro Pensamento


29/09/2009


Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.
Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?
Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!

Fernando Pessoa
(Pseudo: Alberto Caeiro)

 PS: Obrigado à Virgínia da Luz por me ter enviado este poema...

 

Escrito por Edson Macedo às 10h13
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23/09/2009


Energia: há menos ou há mais?

Desculpem-me. Fiquei mesmo uns dias sem escrever para aqui. coisas e loisas me fazem pensar em escrever mas depois… sabem como é… tempo, disposição, medo de ferir alguém (embora verdade se diga não tenho nenhum problema em ferir alguém), e depois passa. Cada vez mais sinto que as palavras são como o café, se esfrir perde o gosto. Mas felizmente, por cá assuntos não faltam. Os assuntos são sempre luminosos como o último grande assunto de Luanda que foi o incêndio no Prédio do Jacaré. Causa? Curto-circuito num gerador “estacionado” por lá. Um dos. No prédio existiam no momento 36 geradores e torraram 12. Acho esse o assunto mais interessante de se tratar. 36 geradores. Mas de quem é a culpa? Existe algum culpado? Eu não tenho gerador, mas claro que com a quantidade de cortes de energia inexplicáveis um dia hei-de ter também o meu.

Os prédios deixaram de ter garagem para dar espaço a geradores e tanques de água e as suas respectivas bombas de água. Claro que há vantagens. deixamos de precisar da Edel (afinal como digo a luz não é minha, EDEL…), deixamos de precisar da EPAL. Desvantagens? Algumas simples: os bombeiros não conseguiram chegar mais próximo do fogo porque não havia espaço de frente do prédio porque os carros q deviam de estar na garagem estavam estacionados fora e… amontoados.

Como disse um senhor à Rádio Luanda, “havia uma avalanche de geradores”. Não deixa de ter razão porque colocar um gerador na garagem chega a ser uma bola de neve. Vem um, vem, outro, outro, outro “e etc, etc, etc e etc (as aspas são de um nosso antigo primeiro-ministro).

O Governo da Província diz que vai tomar medidas para acabar com esses geradores pelos prédios.

Pergunta simples, directa e franca (claro que sem resposta)…

- Quem vai retirar os geradores dos deputados, ministros e diretores e de arrasto o do Ministério da Educação que está num parapeito junto ao muro do terraço do prédio?

Eu até sei a resposta. Simples, directa e franca…

NINGUÉM.

 

Solução? Cadeia com a direcção da EDEL, numa cela à luz de velas.

Escrito por Edson Macedo às 10h31
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