
Tenho estado ausente do blog a avaliar pela data da última postagem. Na verdade não faltam assuntos. Falta em alguns casos motivação. É verdade que o esforço de puxar a caneta (entenda-se teclado) muitas vezes é assombrado por outras motivações que em alguns casos me fazem travar, pensar e várias vezes até apagar da memória o que estava pronto para ser redigido (embora tenha lido há muitos e muitos anos um livro de Sherlock Holmes que me lembro de uma passagem em que dizia que ninguém perde nada da memória. A memória funciona apenas como uma estante onde os livros por se ler são colocados em baixo e os já lidos mudam-se para outras partes mais altas da estante). Ao longo dos meus 37 anos de vida cheguei à conclusão que sim. A gente não perde. Um dia uma luz trás de volta essa assunto que resolvemos colocar na parte de traz da memória.
Sempre me lembro dos momentos bons de infância, dos maus e dos mais ou menos. Sempre me lembro do Zeca Ferreira que me tirou à galhetas do avião no Huambo, na altura das FAPLA e me mandou para a cadeia e sempre mantenho no meu desejo, de um dia dar-lhe todas essas galhetas porque eu guardo e por ser bom a guardar depois devolvo. E francamente, há-de chegar o dia em que lhe irei devolver essas galhetas, como cantou Teta Lando “a questão é esperar…”
Alguém me disse que isso é vingança e que a vingança é um prato que se come frio. Acho que não numa altura em que inventaram o micro-ondas que aquece em menos de 5 segundos.
Vou preparando outras coisas vou vendo outros assuntos e vou construindo a vida. Não mais a minha mas a dos meus 3 filhos e daquela que me irá apoiar mais de perto quem sabe em breve.
Enquanto isso recordo a Somália, recordo Darfur, leio as eleições na África do Sul (de onde me chegou a novidade ontem de se estar a votar à lápis), vejo Luanda com luz e sem luz e cada vez mais sem luz me ilumino de ideias e de ódio pelo dono do interruptor que sem me deixar descansar em paz depois de um dia de trabalho resolve amar o seu tic-tac de liga/desliga como se por ser apenas filho não soubesse respeitar o trabalho, e o descanso que a sua mãe também merece, depois de… noites de trabalho.
Até já…




Leia este blog no seu celular