Meu Claro Pensamento


09/03/2009


Mulher

 

Ontem foi (mais um) dia delas. As complicadas (na opinião da maioria dos homens) e as mais doces criaturas (na opinião da maioria dos homens). Ou seja. Elas só são como são porque representam sempre muito mais do que o que são na verdade. Dissimuladas, interesseiras, más e em alguns casos falsas não deixam de ser sempre activas, produtivas, boas e completamente verdadeiras.

O sexo fraco como são conhecidas ou denominadas dominam com mestria os homens que dominam o mundo. Mulheres todas elas, conseguem ainda que com um sorriso apenas derrubar o maior general de exército temido pelos seus soldados e pelos soldados dos outros.

Os maiores campeões que pontuam pelo mundo jamais conseguem pontuar em casa se ela estiver à baliza e na melhor posição em que joga. À defesa. Defende a honra por menor que se ache, defende à família por menor que tenha e se sente sempre por cima ainda que para isso seja preciso ver a vida de cabeça pra baixo.

As executivas, inteligentes e senhoras donas não conseguem nunca ser mais atractivas que as ..., ou as ... e nem mesmo as ..., lutando sempre numa constante igualdade de direitos entre elas primeiro e depois entre os homens.

Mas do que as entender ou compreender, uma dificuldade que nem Adão conseguiu (estou a imaginar o Adão a tentar explicar o atraso a chegar depois de ter a Eva a espera para o almoço...) é respeitar. Verdade se diga que em alguns momentos nos sentimos mal por se ter sido respeitoso... para depois...

Enfim...

Elas são assim elas foram feitas para serem assim e hão-de ser sempre e cada vez melhores, cada uma a seu jeito. O jeito mesmo é entender que o homem sem a mulher não é Humano. O jeito é ter a certeza de que mesmo quando estamos sós, apenas ela, ainda que seja outra, sabe ser o que precisamos e sabem-no na medida certa.

Nada mais do que ter a honra de dar os parabéns ao sexo fraco mais forte da humanidade onde o mais recente exemplo é a Excelentíssima Senhora Primeira-dama da poderosa terra do tio Sam. Ela provou que por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher. Eu já fui grande homem e hoje já o sou de novo. O que mudou? Nada. Apenas tudo.

Escrito por Edson Macedo às 14h10
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05/03/2009


A Chuva ou o S.Pedro?

Não é a minha rua, mas pela grandeza e deixa andar, pode ser qualquer rua

 

 

Estava a trabalhar quando S.Pedro chegou à Luanda. Forte, vigoroso, torrencial na forma de ser e completamente diferente. Afinal cada vez que chega vem de forma diferente.

Como estou a circular a pé por este supermercado que chamam de cidade consegui “à páginas tantas” que um colega me desse boleia para casa. Viagem tranquila de cerca de meia hora, num carro novo, ar condicionado, chuva lá fora e por dentro Djavan ao vivo. Tudo estava maravilhosamente bem, por dentro do carro porque do lado de fora S.Pedro descarregava toda a água que tinha no tanque. E despejava com força, sem apelo nem agravo. Pelas estradas escorriam com a água latas, pedras, sacos de plástico, latas de bebida, garrafas, pneus ou pedaços deles, muita areia (de várias as cores), enfim… o de sempre como quando existe uma vinda do Sr. fiscalizador de obras S.Pedro.

Desço à porta de casa e corro para a porta para me molhar o mínimo possível. Abro a porta e ao primeiro passo reconheço o meu pé afundado em mais de 15cm de água. Primeiro pensamento: Meus filmes… Afinal o q de mais importante tenho ali dentro são os meus filmes e 1 foto de cada 1 dos meus 3 filhos. Coloco a pasta por cima de algo seco e caminhando pela água vou até ao quarto que está tal e qual à sala e à cozinha. Tudo que estava no chão daquela casa estava “convenientemente” molhado. O colchão inclusive.

Vejo horas e são 18h37. A rua está toda movimentada e lembro-me de uma música portuguesa: “eu não sou o único, não sou o único a olhar o céu…” e não sou de facto. Toda rua está a correr com a água que entrou sem ser convidada. Resolvo atacar o problema, sozinho (como de resto vivo neste momento) e descubro que os interruptores são apenas enfeites para as paredes. A EDEL já havia também passado por lá e levado a energia que deixei em casa.

Movimentos contínuos e exactos que se traduzem em pousa a bacia, enche de água, levanta a bacia e despeja no lava-loiça (pia para os irmãos brasileiros).

Esse movimento leva-me até às 23h42 minutos quando não havia mais água em casa e era hora apenas de limpar para retirar aquela areia q veio com a água mais que se acomodou.

Hora de ir à janela e agradecer à vizinha que prontamente me ajudou colocando uns sacos por debaixo da porta por onde entravam os galões de água. Isso ajudou a travar a entrada da água e assim poder esvaziar o que estava lá dentro. Depois disso encostei-me num canto já seco, deitado em algo maciamente fino (porque afinal o colchão até hoje ainda nem secou) e à luz de vela adormeci depois de ler mais um pouco do livro Terror na Rússia sobre o espião Alex Litvinienko.

Dia seguinte hora de me embelezar e ir trabalhar como se nada tivesse acontecido, a não ser o corpo moído pelo esforço. Afinal nem todos têm a capacidade de transformar água em vinho.

Hoje, volvidos 3 dias desde essa carga de água a rua tem ainda vestígios de escoamento de água e pasmem-se… Um muro derrubado, 5 viaturas caídas que estavam ao lado do muro. Com a chuva a água está a comer o asfalto e já vai em metade de uma faixa da estrada. Solução??? Uma em especial. Estiveram uns chineses a sinalizarem a estrada. Entende-se uma estrada que está a ter uma ravina gastar-se tinta para pintar a sinalização horizontal na estrada? O que me interessa ter nessa estrada a linha contínua se a busca de soluções é descontínua?

Isso não se chama solução… chama-se gozar (zuar para os irmãos brasileiros) com a cara de quem vive nessa rua porque afinal não é um condomínio e os generais que por lá passam não vivem na rua, vão apenas descarregar em algumas meninas. Só que descarregam o saco. Só que o saco de dinheiro porque o outro saco quem descarrega é (sempre) outro.

Mas todos na rua continuam de pé… Quem lá vive é povo apenas e sabe até como comer peixe fresco com falta de luz. Lembram-se do poeta medíocre? (afirmação do Agualusa), “A revolução há-de continuar ainda que alguns de nós fiquem na primeira esquina, a revolução continuará a sua marcha triunfal.”

Escrito por Edson Macedo às 09h58
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