Foi-me enviado o texto que transcrevo na íntegra e que dá conta da "resposta" que Tchizé dos Santos "dedica" à música de Dog Murras.
No meu ponto de vista, no meu, se Dog Murras tem alguma, ou toda razão no que escreve canta, Tchizé tem também alguma ou toda razão no que escreve. Nota-se que, pelo que li, mais do que ser filha de quem é está também atenta ao que se passa ao seu redor, embora, como temos ouvidos um pouco por todo lado, seja ela uma das pessoas que favorecem a entrada de xtranjas no país e beneficiem de garantias e oportunidads que nós os angolano só vemos como Colombo viu a Índia... por um binóculo.
Mesmo assim, gosto quando Tchizé se impõe sem receio nem medo de ser tachada como a filha, ou a princesa, mas com a convicção de ser Tchizé dos Santos.
E eu adoro quem escreve e assina com o próprio nome sem se esconder em pseudónimos, assim como faz um tal de Edson Macedo.
Vamos então ao texto da Tchizé, e por favor comentem...
" Ouvi recentemente a polémica música do cantor Dog Murras e como jornalista, não pude ficar indiferente à sua letra.
Creio que o Dog Murras canta algumas verdades, mas como figura de referência que é, não devia fomentar a desunião e a frustração que todo o povo angolano vive, no anseio por uma angola reconstruida e totalmente recuperada da guerra, onde todos os nossos filhos possam ir à escola e onde já não teremos as "diarreias" de que ele fala e que todos nós já tivemos. Mas o próprio Dog Murras há de saber que não se constroi um apaís em 5 anos, nem em 10.
Ninguém gosta de ser relembrado que vive num país com difiuldades, estradas esburacadas, paludismo e outros problemas, aos quais estão expostos TODOS os angolanos, RICOS E POBRES. Todos passamos pelos mesmos buracos e todos sofremos no mesmo trânsito no dia-a-dia, Ricos e Pobres. E todos continuamos a amar a nossa Angola, Ricos e Pobres. Temos é que trabalhar UNIDOS por uma angola melhor e por um futuro melhor para os nossos filhos, ricos ou pobres. E para esquecer as "malambas", então juntamo-nos ao fim-de semana e dançamos os Kuduros do momento que geralmente, esperamos que nos entretenham e nos façam esquecer os problemas, ao invês de nos frustrar ainda mais.
É preciso entender que os obstáculos fazem parte do percurso e que os "engraxadores", "bajuladores", os "Kotas Bosses", e outros delinquentes do colarinho branco, existem em todas as sociedades e passam por cima de outros cidadãos, ricos ou pobres. É o dia-a-dia da batalha pelo ganha pão. A discrepância social infelizmente é um mal global que temos que combater, JUNTOS, e não desunidos e odiando-nos uns aos outros e fomentando o ódio, ou criando bodes espiatórios como os emigrantes estrangeiros ou os ricos, que na sua maioria um dia também foram pobres.
O problema é que infelizmente alguns "pseudo-novos-ricos" angolanos esquecem as suas origens e querem passar por cima do seu vizinho que saiu do mesmo bairro e acham que têm direito a tudo na lei da força. Isto é que tem que acabar, pois o dinheiro e o poder não identificam um ser humano. Os seus valores sim o caracterizam, fazendo dele um bom ou mau angolano.
Também acho que os Chineses não têm culpa da nossa herança histórica que traz consigo poucos quadros angolanos capazes de fazer as obras que eles fazem com aquela rapidez.
O que seria melhor? Não fazer as obras porque não sabemos fazer bem e rápido, ou chamar expatriados que façam bem e aprender com eles a fazer melhor ainda? Temos que ser humildes e reconhecer que Angola é um país novo no qual TODOS estamos a aprender como se constroi uma economia de mercado forte. Ninguém nasce ensinado.
Agora coloquem-se no lugar do Chinês, Francês, Brasileiro, etc... Quem trabalha de graça na terra dos outros? Claro que os expatriados têm de ser recompensados por irem para a nossa terra dos buracos, do paludismo e da poeira, como diz o próprio cantor, que aliás é um compositor genial.
Creio que os senegaleses, zairenses e malianos tb não podem ser culpados da nossa falta de competitividade, ou inexperiência natural de um país com 32 anos, que os deixa vencer a concorrencia nos nossos próprios mercados. E por fim, os portugueses não têm culpa do facto de gostarmos tanto de comer os seu chouriço, bacalhau com natas, Sumol de ananás e cerveja Sagres, em vez valorizarmos a nossa CUCA e Nocal e o Yuki, ou a chikaungua da terra nas festas e bailes onde agora finalmente já dançamos as músicas dos nossos cantores e compositores sem vergonha.
Conclusão, temos que trabalhar, pois ser empregado não é vergonha, ser pobre não é vergonha. Trabalhar até de madrugada não é vergonha. Vergonha é ser-se arrogante, ser-se fraco e baixar a cabeça quando um obstáculo se nos impõe. Vergonha é ficar a lamentar os problemas de braços cruzados. E o Angolano não é fraco. O angolano não é violento. O angolano é orgulhoso, mas também é lutador. E com o seu jeitinho, vai resolvendo os problemas.
Sejamos unidos, ouçamos as críticas do Dog Murras, sem entretanto interpretá-las como um estímulo ao racismo, nem à desunião dos angolanos, pois com certeza não é essa a intenção do poeta. Enfrentemos a nossa realidade de frente e sem hipocrisia, mas creio que Angola não é dos Chineses, nem dos portugueses e nem dos brasileiros. Angola é mesmo dos angolanos! E nós temos que nos instruir, temos que batalhar e ganhar experiência de trabalho para não nos deixarmos enganar pelo senegalês, brasileiro, português, francês, inglês, chinês na nossa própria terra, pois a ignorância é o maior inimigo do homem e o esclarecimento a melhor ferramenta para o sucesso.
Por: Tchizé dos Santos"